Como nasce minha pesquisa

Método de investigação

Toda investigação possui um ponto de partida. A minha não nasceu de um problema filosófico, mas da experiência clínica.

Antes de recorrer aos autores, procuro acompanhar aquilo que a experiência revela. A filosofia não fornece respostas prontas; oferece uma linguagem rigorosa para nomear o que o fenômeno já tornou visível.

Esse é o caminho que orienta minhas pesquisas em fenomenologia, hermenêutica, Daseinsanalyse e Psicoterapia Dinâmica Breve.

O percurso

Da experiência ao diálogo com os autores.

Os conceitos não constituem o ponto de partida da investigação. Eles surgem quando a experiência exige uma linguagem mais precisa.

  1. 01Experiência

    A investigação começa em uma situação concreta da clínica.

  2. 02Descrição

    Antes de explicar, procuro acompanhar aquilo que aparece.

  3. 03Estranhamento

    Algo resiste às interpretações disponíveis.

  4. 04Insuficiência

    A linguagem existente já não parece suficiente.

  5. 05Conceito

    Surge a necessidade de uma formulação mais rigorosa.

  6. 06Autor

    Os autores entram como interlocutores, não como ponto de partida.

Princípios

Uma maneira de interrogar a clínica.

O método permanece aberto à correção pelo fenômeno e recusa transformar a experiência em simples ilustração de uma teoria.

01

A clínica vem antes da teoria

As perguntas não são escolhidas para demonstrar conceitos previamente estabelecidos. Elas surgem da experiência clínica.

02

A descrição precede a interpretação

Interpretar cedo demais pode fazer com que encontremos apenas aquilo que já esperávamos encontrar.

03

O fenômeno precede o conceito

Os conceitos não determinam antecipadamente o que deve aparecer. Oferecem linguagem ao que a experiência já revelou.

04

Os autores são interlocutores

Heidegger, Husserl, Bion, Ferenczi, Malan e outros autores são convocados quando ajudam a tornar uma questão mais inteligível.

O lugar da filosofia

Não utilizo a filosofia para submeter a clínica a um sistema conceitual. Recorro a ela quando a própria clínica exige uma linguagem mais rigorosa para pensar aquilo que se tornou visível.

A filosofia não substitui a psicologia, o diagnóstico ou a técnica. Sua tarefa é interrogar os pressupostos que orientam silenciosamente essas práticas e ampliar as condições de compreensão da experiência.

Não parto da filosofia para compreender a clínica. Parto da clínica para obrigar a filosofia a pensar.