A clínica vem antes da teoria
As perguntas não são escolhidas para demonstrar conceitos previamente estabelecidos. Elas surgem da experiência clínica.
Como nasce minha pesquisa
Toda investigação possui um ponto de partida. A minha não nasceu de um problema filosófico, mas da experiência clínica.
Antes de recorrer aos autores, procuro acompanhar aquilo que a experiência revela. A filosofia não fornece respostas prontas; oferece uma linguagem rigorosa para nomear o que o fenômeno já tornou visível.
Esse é o caminho que orienta minhas pesquisas em fenomenologia, hermenêutica, Daseinsanalyse e Psicoterapia Dinâmica Breve.
O percurso
Os conceitos não constituem o ponto de partida da investigação. Eles surgem quando a experiência exige uma linguagem mais precisa.
A investigação começa em uma situação concreta da clínica.
Antes de explicar, procuro acompanhar aquilo que aparece.
Algo resiste às interpretações disponíveis.
A linguagem existente já não parece suficiente.
Surge a necessidade de uma formulação mais rigorosa.
Os autores entram como interlocutores, não como ponto de partida.
Princípios
O método permanece aberto à correção pelo fenômeno e recusa transformar a experiência em simples ilustração de uma teoria.
As perguntas não são escolhidas para demonstrar conceitos previamente estabelecidos. Elas surgem da experiência clínica.
Interpretar cedo demais pode fazer com que encontremos apenas aquilo que já esperávamos encontrar.
Os conceitos não determinam antecipadamente o que deve aparecer. Oferecem linguagem ao que a experiência já revelou.
Heidegger, Husserl, Bion, Ferenczi, Malan e outros autores são convocados quando ajudam a tornar uma questão mais inteligível.
Não utilizo a filosofia para submeter a clínica a um sistema conceitual. Recorro a ela quando a própria clínica exige uma linguagem mais rigorosa para pensar aquilo que se tornou visível.
A filosofia não substitui a psicologia, o diagnóstico ou a técnica. Sua tarefa é interrogar os pressupostos que orientam silenciosamente essas práticas e ampliar as condições de compreensão da experiência.
Não parto da filosofia para compreender a clínica. Parto da clínica para obrigar a filosofia a pensar.